O que é Educação STEM?

por Prof. André Astro 26 jul

Se você é da área de educação já deve ter ouvido bastante a palavra “STEM”. O termo se tornou popular de forma tão rápida, que muitas vezes é entendido de formas diferentes por pessoas diferentes. STEM é um acrônimo, formado pela junção das palavras ciências, tecnologia, engenharia e matemática (Science, Technology, Engineering and mathematics), mas o significado vai muito além da simples junção dos termos, e é exatamente isso que será explorado nesse texto.

Um pouco da História

Seria injusto datar a metodologia STEM como algo do século XXI. Muito foi feito nessa área dentro dos laboratórios de ciências e até nas garagens das casas antes do inicio desse século, principalmente nos Estados Unidos. Porém, com o desenvolvimento em progressão geométrica da tecnologia e do conhecimento humano, ao longo da década de 90, havia uma preocupação crescente dos líderes americanos de que o número de estudantes interessados nessas áreas não estava acompanhando a demanda dos setores que mais cresciam na economia. Assim, um esforço para incentivar os estudantes a seguir carreiras afins começou a ser articulado.

Foi no inicio dos anos 2000 que o acrônimo STEM foi articulado, por Judith A. Ramaley, diretora assistente na área de educação da Fundação Nacional da Ciência, agência norte americana, para retratar o currículo integrado que ela e sua equipe estava desenvolvendo.

Mas apenas em 2009 a palavra tomou força, quando o governo Obama anunciou medidas de apoio ao currículo STEM, que incentivaria alunos americanos a seguirem carreiras nas áreas afins. O movimento foi incorporado ao dia a dia americano e logo se espalhou pelo mundo.

O que é afinal o movimento STEM?

Quando se fala em STEM, um dos termos chaves é integração. As atividades combinam propositadamente as disciplinas do acrônimo, por essas áreas serem tratadas como de grande importância para o mercado presente e futuro. A parte da ciência geralmente abrange as ciências da natureza, como biologia, química e física, mas não se restringindo apenas a elas. As propostas podem envolver linguagens, ciências da Terra, história, entre outros. A parte da matemática inclui por exemplo, álgebra, geometria e cálculo. Em se tratando de tecnologia, os tópicos podem incluir programação de computadores, construção de drones, análise e design de projetos com arduínos e mais. Já na parte da engenharia, pode-se incluir áreas como eletrônica, robótica, engenharia civil, design de estruturas e etc. As possibilidades são infinitas e os caminhos para desenvolver atividades com os alunos são variados, sempre fornecendo aos alunos a oportunidade de obter e aplicar conhecimento relevante do “mundo real” na sala de aula, e da sala de aula no “mundo real”.

Muito mais do que apenas uma junção entre áreas, o STEM foi criado para inspirar uma geração de crianças a se interessarem por essas áreas. Por isso não existe uma regra universal para a educação STEM acontecer, mas algumas características comuns a todas as atividades.

Em termos de metodologia, a educação STEM surge como uma proposta ao modelo defasado de educação que temos. Logo, tira o professor como agente principal do processo do ensino aprendizagem e o coloca como facilitador. O aluno passa a ser agente ativo do processo.

Outra característica intrínseca às atividades STEM é serem atividades baseadas em projetos e investigação. A partir de um problema desafiador, um projeto é elaborado incentivando os alunos a irem atrás de soluções. Ao invés de o professor apresentar fatos estabelecidos ou um caminho definido na aprendizagem, ele começa por levantar

questões, ou problemas e propõe que o aluno descubra por si só o conhecimento relativo àquele conteúdo, sempre incentivando o aluno a descrever o que está observando, suas hipóteses formuladas e conclusões adquiridas.

E quanto às habilidades socioemocionais e pessoais?

Embora as habilidades socioemocionais e pessoais, a primeira vista, possam não parecer parte do STEM, o cerne da proposta é permeado pelo desenvolvimento de competências da área, seguindo a tendência do mundo dos negócios.

Cada vez mais, as principais empresas do mundo estão se afastando dos ambientes “tradicionais” de trabalho para ambientes que estimulam o trabalho em equipe e a criatividade. A Google por exemplo, incentiva seus funcionários a dispender até 20% do seu tempo de trabalho em ideias e projetos que eles tenham paixão, mesmo que seja algo fora do trabalho principal. Ou seja, os cubículos e as mesas alinhadas estão em vias de extinção.

A filosofia STEM também inclui o desenvolvimento de competências e habilidades que o mercado procura. Não dá pra saber que tipo de emprego estará disponível aos alunos em um futuro próximo, mas com certeza terá algo a ver com ser capaz de comunicar ideias de maneira efetiva, com entusiasmo e paixão, colaboração, trabalho em equipe, criatividade, autonomia, responsabilidade, ética, confiança, entre outras competências socioemocionais e pessoais.

O que não é STEM?

Com a popularização do STEM, vê-se o aumento de atividades em escolas e até de brinquedos nas lojas, trazendo consigo o nome, como marketing, mas nem tudo que traz o nome STEM, o é de fato. Por exemplo, fazer uma atividade em que os alunos brincam com a areia cinética e constroem diferentes formas, pode trazer muito aprendizado, mas não pode ser chamado de STEM, mesmo que se use na atividade jargões científicos, como composto químico ou ligações.

Para ser mais preciso, não deveria nem ser chamada de atividade científica, por não fazer os alunos observarem, classificarem, compararem, medirem, que são verbos característicos do que chamamos de ciências.

Se a atividade não desenvolve a habilidade da criança de resolver problemas, se não pode ser transformada a ponto de poder ser feita de outras maneiras, se não promove o pensamento crítico, experimentação, tentativa e erro, e diversão, então não deve ser chamado de STEM.

Enfim…

O STEM na educação veio para ficar, é uma proposta pedagógica inovadora frente às mudanças sócio/tecnológicas que o mundo moderno atravessa, e o ensino engessado e pouco estimulante que a escola tradicional apresenta. O modelo traz ao aluno, liberdade para agir, propostas mais próximas do dia a dia e faz da criança um promotor de mudanças. E para isso acontecer não necessariamente é preciso um espaço específico, o próprio laboratório de ciências pode ser um espaço diferenciado. Apenas é importante que se empreguem estratégias baseadas em projetos, que apoiem a reflexão e ação como foco na resolução de um problema.

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