A cultura Maker e os Laboratórios de Ciências

por Prof. André Astro 19 jul

A popularização da cultura maker, no contexto da educação, é uma tendência. Multiplicam-se, nas feiras de educação, pelo Brasil e pelo mundo, os drones, robôs que ensinam, impressoras 3D, canetas 3D, além projetos variados com materiais de baixo custo visando o desenvolvimento criativo natural das crianças e adolescentes.

A cultura maker é divertida, é visualmente atraente, faz parte da cultura “Hands on” e tem um potencial de ensino excepcional, principalmente por deixar o aluno livre, e no centro do processo de ensino-aprendizagem.

Mas, diante dessa inovação no modo de fazer educação, onde se encaixam os “velhos” laboratórios de ciências?

O significado de Inovação

Geralmente quando se ouve a palavra inovação, logo vem à mente a substituição do que está posto pelo novo. A mudança imediata de um método tradicional por algo completamente diferente.

Essa maneira de pensar não está errada, mas não contempla todos o vieses que a palavra pode ter. Um projeto inovador pode tomar como base uma proposta tradicional e melhorar a sua eficiência, ou utilizar um projeto já existente de uma maneira que nunca tinha sido pensada antes. Ou seja, para algo ser inovador não é necessário tornar obsoleta uma proposta anterior, mas, dar outro significado.

É o caso do Airbnb. As pessoas sempre ofereceram casas e quartos para aluguel , seja no “boca a boca” ou colocando anúncios em jornais. A inovação do Airbnb foi criar uma plataforma que que unisse em um só lugar oferta e procura e desse condições para que as transações fossem concretizadas.

Já a inovação no processo e na dinâmica de montagem, fez a marca McDonald’s se destacar entre os “fast foods” da época, aumentar a produtividade, e virar a grande marca que é hoje.

O papel do laboratório de Ciências

Voltando para a reflexão inicial, o movimento maker incentiva a formação de uma geração de inovadores, resolvedores de problemas. O objetivo é tornar os alunos criadores ao invés de puro consumidores.

Mas, para que os alunos não se tornem meros replicadores de projetos e possam ter propriedade sobre o processo que estão executando, podendo assim transforma-lo na resolução de um problema, é necessário mostrar a base científica por trás das transformações makers. É necessário que os alunos entendam o método científico e o apliquem em seus projetos, para que sejam capazes de perceber o que pode ser melhorado e fazê-lo.

É aí que entram os “velhos” laboratórios de ciências. A cultura maker não veio para acabar com a prática experimental dos laboratórios, mas veio trazer significado. Agora, mais do que nunca, o aluno pode entender conceitos experimentalmente, e utilizá-los para transformar, para inovar e para criar.

A fusão da Cultura Maker com Laboratório de Ciências

Como exemplo, pode-se citar uma das atividades mais reproduzidas nas salas de aula pelo Brasil, o slime. É uma atividade que faz parte da cultura maker. Totalmente “hands on” e visualmente atraente e divertida. Mas o erro que muitas dessas salas de aula cometem é mostrar a atividade apenas como algo divertido e não como algo científico. O slime é um ótimo projeto para ser levado para dentro do laboratório de ciências, para introduzir conceitos como mudanças de estado da matéria, demonstrar o processo de reticulação de longas cadeias de moléculas e explorar a ciência dos polímeros.

Mais ainda, é uma ótima oportunidade para desafiar os alunos a experimentarem a melhor fórmula, ou a melhor proporção entre os materiais utilizados, para fazer o melhor slime. Para isso eles terão que pensar no processo, criar hipóteses, escolher apenas uma variável para modificar, testar, analisar e chegar a conclusões. E é aí que a ciência está sendo feita.

Sim para o Laboratório de Ciências!

Embora os espaços makers incentivem a criatividade, a colaboração e a tentativa, isso por si só não é suficiente para atingir o objetivo almejado na educação. Para se identificar um problema e projetar uma solução se faz necessário delimitar o problema, fazer uma previsão testável, coletar dados e avaliar os resultados.

A cultura maker não necessariamente veio para substituir os laboratórios de ciências, e sim para trazer significado, veio somar.

Os espaços maker estão produzindo uma geração de inovadores, mas não esqueçamos que nossos inovadores precisam entender como renderizar suas ideias criativas em resoluções de problemas do dia a dia. E a fusão com as práticas de laboratório são essenciais para que isso aconteça.

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