Conheça Graham: o super humano

por iw_azeheb 02 ago

Graham é um típico cidadão australiano.

Bem, seria se nós, humanos, tivéssemos evoluído para sobreviver a acidentes de carro.

graham

Graham é uma escultura que foi encomendada pela Comissão de Acidentes no Transporte (TAC) que responde ao governo do Estado de Victoria, na Austrália. Ele faz parte de um projeto que visa à conscientização no trânsito.

Participaram do desenvolvimento de “Graham” o cirurgião de traumas do Royal Melbourne Hospital Christian Kenfield, um especialista em segurança no trânsito e segurança veicular e pesquisador no Centro de Pesquisas de Acidentes da Universidade de Monash, o Dr. David Logan, e a artista australiana Patricia Piccinini, que trabalha com esculturas.

O cirurgião Christian Kenfield declarou que nós não somos desenvolvidos para aguentar as lesões causadas nos acidentes de carro e mesmo colisões em que o veiculo esteja a 25 ou 30 km/h podem resultar em grandes traumas. O especialista em acidentes, Dr. David Logan diz que “os carros evoluíram muito mais rápido do que nós” e o corpo humano não tem a fisiologia para absorver as energias envolvidas em uma colisão.

Em um acidente de trânsito nosso corpo está em movimento retilíneo uniforme em conjunto com o veículo até que o carro tem o movimento bruscamente interrompido. De acordo com a primeira lei de Newton que descreve que um corpo em movimento tende a permanecer em movimento, o nosso corpo continua se deslocando para frente, aí está a principal necessidade da utilização de cinto de segurança, para não sermos arremessados para fora do veículo, e mesmo quando o nosso corpo para, se a batida for muito violenta, nosso cérebro continua seu movimento para frente, colidindo com a parede do crânio. E ao se chocar com o airbag ou ter nosso corpo segurado pelo cinto, somos novamente arremessados para trás, podendo fazer o cérebro bater contra a parte de trás do crânio.

Kenfield diz que mesmo o homem mais forte não conseguiria impedir o próprio corpo de ser lançado para frete, pois a energia do impacto é muito grande.

Diante de todas estas características, Graham foi criado. “A única pessoa projetada para sobreviver nas estradas”.

Graham

Graham-cérebro

O cérebro de Graham é o mesmo que o nosso, diz a artista Piccinini, mas o seu crânio é muito maior para acomodar mais fluido cerebral e ligamentos que dão maior suporte e mantêm o cérebro no lugar. Já a caixa craniana é maior e foi desenhada para absorver melhor a energia do impacto e impedir que ela continue se propagando até o cérebro, quase como um capacete. Outro detalhe é o pescoço, Graham não tem um, pois o deslocamento violento que o pescoço sofre em batidas é outra causa de morte comum em acidentes.

 

Graham-pele1

O rosto está propenso a sofrer danos no impacto com o volante, com o painel ou ser cortado pelo vidro, por isso Graham não tem um nariz e possui muito tecido adiposo, para absorver o impacto. Assim como sua pele é mais grossa, com mais camadas, para que as lesões no tecido não sejam tão graves. Isto é importante principalmente para os motociclistas, que estão mais propensos a ter lesões na pele.

 

O ser humano evoluiu com um mecanismo natural para proteger os órgãos: a caixa torácica , mas para sobreviver à acidentes de carro seria preciso costelas reforçadas e um outro mecanismo sugerido por Kenfield que seria uma espécie de “airbag” interno: uma estrutura que, ao sofrer um impacto, liberaria um fluido que ajudasse a absorver a energia.

Graham-costelas

Quando um pedestre á atingindo, uma das principais fraturas ocorre nos joelhos, pois eles foram projetados para se dobrarem em apenas uma direção, e, usualmente, pessoas são atingidas na lateral do corpo e o impacto de dá na altura dos joelhos, obrigando-os a se voltarem para o lado. Assim, o humano evoluído para suportar acidentes, teria joelhos que se dobram para as duas direções e ligamentos reforçados que permitem esta movimentação, como Graham.

Graham-pés

 

E, ainda pensando na situação do pedestre em que as pernas são as primeiras a serem atingidas e diversas variáveis podem definir a gravidade do acidente, a artista fez com que Graham tivesse pernas e pés que simplesmente o tirassem dessa situação de risco. Ele possui pernas muito fortes e músculos que o permitem saltar para longe.

 

A escultura

Graham estará exposto em Victoria por um tempo e então fará um tour pelo país. O objetivo é conscientizar que nós não somos capazes de sobreviver a acidentes, a não ser que sejamos como ele, uma criatura muito esquisita. Isso mostra que somos vulneráveis e, diante dessa vulnerabilidade, devemos estar atentos e respeitar a vida.

Você pode ver Graham online na página: http://www.meetgraham.com.au/view-graham

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