Carros elétricos

por Prof. André Astro 09 set

Eles chegaram! Os carros elétricos são cada vez mais comuns nas estradas do mundo. Só na China estima-se mais de 1,5 milhões de carros elétricos em circulação. A fórmula E, que é a categoria de corrida automobilística com carros movidos exclusivamente a energia elétrica, está ganhando espaço. Mas pensando em futuro, os carros elétricos são a resposta para todos os nossos problemas? Existe alguma outra possibilidade em pesquisa?

Um pouco de História

Embora estejamos presenciando a revolução dos carros elétricos, a história dos automóveis movidos a eletricidade remonta ao século XIX. O primeiro carro que surgiu era elétrico, em 1832, antes mesmo de surgir os carros a combustão como conhecemos hoje. De fato, o primeiro veículo a passar dos 100 Km/h, era um modelo belga, elétrico, conhecido como “La jamais Contente” (Nunca satisfeito), em 1899.

Carros Elétricos

No final do século XIX e início do século XX, os carros elétricos eram tão comuns quanto os carros a combustão. Porém, em uma sociedade em que apenas 3% das casas tinham energia elétrica, o carro movido a eletricidade era de três a dez vezes mais caro do que o carro a combustão. Enquanto o modelo T, da Ford, chegava a custar duzentos e sessenta dólares, um carro elétrico custava entre mil e três mil dólares.

Em 1901, o petróleo foi descoberto no Texas. Com o tempo essa descoberta foi viabilizando ainda mais a indústria de motores a combustão. Postos de combustíveis surgiram nas estradas ao redor do país, mesmo no interior, onde a eletricidade ainda não tinha alcançado.

Tipos de Carro Elétricos

Existe hoje três tipos de carros elétricos, os híbridos, híbridos plug in e os elétricos propriamente ditos.

Os carros híbridos são movidos tanto por gasolina quanto por eletricidade. Esses carros, como o Prius da Toyota e o Honda Civic, usam a eletricidade como apoio ao motor a combustão, sendo responsável principalmente pelo arranque. Todo o processo é controlado por um computador interno que garante a melhor performance para cada opção. A bateria nesse caso é recarregada pelo próprio sistema de frenagem do carro, o que é conhecido como “frenagem regenerativa”. O motor ajuda na desaceleração, convertendo parte da energia que seria perdida na forma de calor em eletricidade.

Os carros híbridos plug in como o Ford Fusion, Mercedes C350, entre outros, podem recarregar a bateria externamente na tomada, e com o freio regenerativo. Nesse tipo de carro a bateria tem maior autonomia, permitindo que o carro percorra até 50 km por recarga. O motor a combustão nesse caso entra em ação quando é necessário alta demanda de torque ou potência, ou quando acaba a carga da bateria.

Já os carros elétricos de fato, como o Tesla, o Renault Zoe, entre outros, são veículos sem motor a combustão. Esses carros possuem baterias de alta capacidade, não poluem o ambiente como os veículos a gasolina e requerem menos manutenção que os carros convencionais por terem bem menos partes móveis. Geralmente a recarga dessas baterias, quando ligadas em casa, em uma rede 110V por exemplo, demora cerca de oito horas para completar a carga. A opção de carregamento mais rápido hoje no mercado, são os carregadores ultra rápidos que recarregam o suficiente para 150Km em trinta minutos. A autonomia declarada pelos fabricantes dos carros elétricos, está entre 250Km por recarga até 450 km, dependendo do carro.

Vantagens e Desvantagens

As vantagens dos carros elétricos são várias. A emissão direta de gases poluentes para atmosfera é zero, ele é mais silencioso, produz maior torque para começar a movimentar o carro. Os veículos movidos a eletricidade tendem a ter maior espaço interno, pois a bateria é colocada embaixo do assoalho do carro. Isso, inclusive, abaixa o centro de massa do carro, fazendo com que fique mais difícil o carro capotar.

O custo hoje da eletricidade é bem menor se comparado ao combustível, ou seja, em média, um carro elétrico necessita de doze reais para uma recarga que dá uma autonomia de 120 Km. Os mesmos 120 Km, feitos por um carro com uma autonomia de 15 Km/L de gasolina, gastaria em média trinta e dois reais (considerando quatro reais o litro).

Os carros elétricos não tem bico injetor, biela, radiador, bomba d’agua, escapamento, catalisador, não tem que trocar óleo, e outras tantas partes, fazendo com que a manutenção seja menos frequente e mais barata.

Embora muitas sejam as vantagens, alguns pontos devem ser levados a discussão em se tratando dos carros elétricos.

Por exemplo, o projeto Noronha Carbono zero, é um projeto que sugere que a partir de 2030, não haja mais nenhum veículo movido a combustão na ilha de Fernando de Noronha. Todos os veículos serão elétricos, ou seja, emissão zero. Essa é uma proposta que está sendo feita em parceria com a Renault do Brasil com os carros elétricos Zoe e o governo pernambucano. Mas falar sobre vantagens e desvantagens de carros elétricos vai além de uma leitura superficial de reportagens como essa. Ao aumentar a demanda de carros elétricos para a ilha, aumenta-se a necessidade de energia elétrica. Hoje, a maior parte da energia do local é proveniente de usinas termoelétricas que utilizam mais de quatrocentos e cinquenta mil litros de diesel por mês.

O Renault Zoe, o carro elétrico mais barato anunciado no Brasil, está custando cento e cinquenta mil reais, o que é um ponto limitante para a popularização do veículo. Além disso, a bateria de um veículo elétrico possui um custo elevado, e tem um tempo de vida estimado entre 5 e 10 anos. Embora já haja maneiras de reciclar quase 100% de seus componentes, com o crescimento exponencial nas vendas de carros elétricos, investimentos e conscientização deverão ser feitos para que as baterias não acabem agredindo a natureza em aterros sanitários.

A maior parte das baterias utilizadas nos carros, além de laptops e baterias em geral, são a base lítio com uma mistura de cobalto, níquel, manganês entre outros componentes. A extração do lítio, batizado como a nova “gasolina” pelo banco Goldman Sachs, é algo que também deve ser levado em consideração. As maiores reservas se encontram longe dos centros urbanos, em lugares desolados como o deserto do Atacama no Chile, e o Salar do uyuni na Bolívia. Embora ninguém questione que se faz necessário acabar com a dependência do petróleo, faltam hoje, estudos mais aprofundados para saber o tamanho do impacto causado pela extração do lítio em escala local e global.

Por fim, como citado no caso de Fernando de Noronha, a demanda de eletricidade resultante da possível popularização dos veículos elétricos é alta. A matriz elétrica mundial ainda é majoritariamente de fontes não renováveis e altamente poluente, como pode-se ver na figura abaixo.

Matriz elétrica mundial e do Brasil em 2016.

 

Neste caso, ponto pro Brasil, que tem a maior parte de sua produção de energia baseada em fontes renováveis.

E qual a conclusão?

Carros movidos a eletricidade já se faz presente em várias partes do mundo. O lítio utilizado nas baterias virou uma comodity poderosa, mas a popularização desse tipo de veículo ainda é algo para o futuro. A baixa autonomia, o alto tempo de carregamento e o preço, além do problema energético são fatores que ainda pesam na popularização do carro elétrico.

Existe hoje, mais uma aposta para substituir os carros a combustão, são os veículos a hidrogênio, como o Toyota Mirai vendido no Japão, mas isso é assunto para uma próxima postagem.

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