50 anos da viagem do homem à Lua.

por Prof. André Astro 21 ago

“Este é um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade”

Não dá pra começar um texto sobre os cinquenta anos da ida do homem à lua sem relembrar a frase de Neil Armstrong, que ficou cravada na história.

Em 20 de julho de 1969 as 20h:17min, UTC (Fuso horário de Greenwich, 3 horas a frente de Brasília), os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin, alunissaram, a bordo do módulo lunar Eagle. Enquanto isso, o piloto Michael Collins pilotava sozinho o módulo de comando na órbita da lua. Foi um daqueles momentos em que o mundo parou, e observou atento as transmissões ao vivo pela televisão, concretizando as palavras de John F. Kennedy. Ele disse que antes da década acabar, os Estados Unidos colocariam homens na lua e os traria de volta pra casa em segurança.

Cinquenta anos se passaram desde o dia em que os primeiros homens pousaram na região da lua, conhecida como Mar de Tranquilidade. Foi o ápice do que ficou conhecido como era espacial. No ano de 2019 celebramos esse feito, e hoje, diante de todas as inovações e mobilizações, pode-se dizer que a segunda era espacial está para começar.

Um pouco de história

Tudo começou com uma cadela… isso mesmo, a vira lata Laika foi o primeiro ser vivo a ir para o espaço em 3 de novembro de 1957. Infelizmente ela faleceu 6 a 7 horas após o lançamento da Sputnik 2, pela União Soviética. A nave perdeu seu escudo de calor fazendo que a temperatura no seu interior subisse inesperadamente. Esse lançamento marcou o início da chamada corrida espacial, no auge da Guerra Fria.

Na época, Estados Unidos e União Soviética mobilizaram grandes quantias em dinheiro para exploração espacial. A União Soviética saiu na frente enviando o primeiro homem para fora da Terra, o cosmonauta Yuri Gagarin, em 12 de abril de 1961. Um mês e treze dias depois, John F Kennedy, então presidente dos Estados Unidos, fez o famoso discurso convocando a nação a comprometer-se a atingir o objetivo de colocar o homem na lua antes do fim da década.

O projeto Mercury foi o primeiro projeto tripulado da NASA. A nave Mercury tinha capacidade para apenas um astronauta. Logo depois veio o projeto Gemini, com capacidade para dois astronautas. Foram 12 missões do projeto Gemini, e foram essas missões que deram a base para o projeto Apollo, que levaria o homem a lua.

A primeira tentativa de levar o homem a lua, em 1961, foi um desastre. O interior da Apollo 1 pegou fogo, resultando na morte de três astronautas antes mesmo do foguete ser lançado. Após esse acontecimento, mais sete missões foram realizadas com testes de acoplagem, aterrisagem, manobras e outros pontos importantes para a viagem e o retorno seguro do homem a lua. Em julho de 1969, assistido por mais de 650 milhões de pessoas ao redor do mundo, na Flórida, o foguete Saturno V levantou voo levando o módulo Columbia para fora da Terra. Apollo 11 seria a primeira missão a levar o homem à lua.

Um esforço da humanidade como humanidade

“Se ela (Katherine) afirmou que os números estão corretos, estou pronto para ir”. Essa frase foi dita pelo Astronauta John Glenn, o primeiro americano a orbitar a Terra.

Embora muito enfoque seja dado à ida do homem à lua, é importante reconhecer que esse feito foi um esforço da humanidade como humanidade. Mais de quatrocentas mil pessoas trabalharam para a viagem acontecer, dentre elas muitas mulheres, em uma época em que o preconceito era algo corriqueiro e amplamente aceito pela sociedade.

O filme “Estrelas Além do Tempo” retrata algumas dessas mulheres. Se você ainda não assistiu, vale cada minuto. O filme conta a história de Katherine Johnson, mulher negra que foi contratada para trabalhar como computadora. Em uma época em que computadores como conhecemos não existiam, todos os cálculos matemáticos para colocar um foguete no espaço eram feitos à mão, por mulheres como Katherine.

A exploração Espacial hoje

Embora já façam quase cinquenta anos do último pouso na lua, o ser humano nunca parou de explorar o espaço. Hoje a humanidade já habita uma estação que orbita a Terra, a estação internacional espacial. Além disso, já enviou robôs para exploração da lua e de Marte, pousou em um cometa, explorou através de sondas os planetas externos, além de lançar as sondas voyager 1 e 2 que hoje viajam pelo espaço interestelar, isto é, o espaço além do sistema solar.

Hoje, além das empresas governamentais que já investiam na exploração espacial, tem-se a ascensão de empresas privadas multimilionárias que ressuscitaram a corrida espacial. A Blue Origin, empresa criada pelo fundador da Amazon Jeff Bezos, é uma dessas empresas que investe fortemente em turismo espacial. A Virgin Galactic do

bilionário Richard Branson, já vendeu diversas passagens ao custo de 250 mil dólares para vôos orbitais. Além da Spacex, empresa de Elon Musk, que em fevereiro de 2016 a bordo da Falcon heavy, o foguete mais poderoso do mundo em operação hoje, enviou um carro Tesla Roadster para o espaço.

Ecos da viagem à lua

2024… Esse foi o prazo dado pelo atual presidente norte americano, Donald Trump, para voltar a lua, e dessa vez com uma astronauta mulher. O projeto Artemis, nome dado em referência a deusa grega da caça, irmã gêmea de Apollo, tem como objetivo levar novamente o homem a lua, além de montar uma estação orbital no nosso satélite. Para que tal feito aconteça novamente está sendo necessário um esforço conjunto. Cientistas da NASA em colaboração com cientistas das agências espaciais europeia, japonesa, russa e canadense, além da parceria com iniciativas privadas, têm investido grandes quantias para viabilizar a construção da estação apelidada de Gateway (portal em inglês). A estação servirá, entre outros propósitos, de base para viagens do ser humano a lugares mais distantes.

Em 20 de julho de 1969, o pequeno passo de um astronauta fez o imaginário de toda uma sociedade sonhar com o desconhecido. 50 anos se passaram, e aquele feito ainda impulsiona a humanidade a extrapolar seus limites.

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